quarta-feira, 19 de outubro de 2011

temores e incertezas



Sinto meu corpo sendo arrastado pelos anos
E a correnteza dos acontecimentos, me fazem flutuar pelos caminhos
Rodeada de temores e incertezas
Vejo no novelo de lã, a esperança de que os dias frios se desencadeiam.
De que a garoa se estabilize e faça presente nos nossos contos!
Vislumbrar as desvairadas damas soteropolitanas
E me alimentar dos cheiros doces que exalam de seu corpo esguio!
Finalmente recuperar a essência de me sentir vivo e de ainda sentir fascínio pelo novo!
Shirley Souza! Leandro Rocon ...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ensaio 5

Ensaio mais leve..Creio que ao passar do tempo, dos ensaios, começou a surgir uma inquietação de como transformar tudo isso em "cena". Confesso que passei a semana pensando em começar do zero, ir para algo mais firme a meu ver. "Ceninha" bonitinha, bem feitinha, redondinha. Porém escutando a trilha, e relendo todas as anotações, confesso que a cabeça deu um nó, uma explosão, e depois virou a calmaria. A meu ver, esse discurso de Platão é uma destruição do Amor. No momento em que defino que isso é amor e isso NÃO é amor, transformo em palavras uma sentimento, ou melhor, traduzo intersemioticamente uma experiência pessoal. Cheguei a definição de que todo aquele discurso platônico sobre o AMOR, nada mais é do que uma destruição do próprio numa tentativa de construção. Eis que surge uma luz à criação. As experiências começaram a seguir uma linha mais destrutiva do amor, do tesão. Não me interessa falar do amor nuvem, por mais que eu ache lindo, prefiro ir no conflito, naquele ponto o qual as pessoas pulam: o sexo. Todos sentem prazer, tesão, se masturbam, já assistiram algum filme pornô, já pensaram coisas proibidas, enfim, todos já passaram pela zona proibida ou não falada, pelo menos nós do elenco, rsrs. Como exercício, pedi a todos que apresentassem cenas românticas, e todas, exceto a de um dos performers, seguiu a visão do amor nuvem, que apresentava uma coisa quase "brega", e isso era bacana de ver, pois mesmo os que rezlizavam a cena demonstravam aquela sensação de: Que coisa brega eu estou fazendo? Por causa dos elementos, dos textos, das intimidades utilizadas como cena. Não era ruim, até por que acredito que tudo é material, sem julgamentos de valor, mas esse brega é como eu enxergo esse amor nuvem, enquanto diretor. Foi um bom experimento, até por que saíram coisas bem diferentes e que podem ser utilizadas, e mesmo não sendo usadas, serviram enquanto exercício artístico. O aquecimento foi com brincadeiras infantis, subir em árvore, pique-pega na árvore, pique-alto, jogos que exigiam fisicalidade, porém também cumplicidade entre eles. Dentro da sala, realizamos o exercício do cego, onde o grupo inteiro, exceto um integrante, fecha os olhos e andam pelo espaço, deixando toda a responsabilidade de não bater na parede ou entre si, naquele que permaneceu de olhos abertos. Bem proveitoso, algumas batidas, mas confianças reforçadas. Após esse exercício, realizei um percurso em câmera lenta, dificuldade já demonstrada pelo grupo todo. Durante o exercício fui tranformando-o naturalmente em cena, onde alguns integrantes filmavam outros que buscavam seduzir as câmeras de quem o assistia (esse da câmera de filmagem é realizado dentro da Cia AntiStatusQuo, porém com outra versão). Primeiro uma das meninas utilizava essa sensualidade, e durante sua cena molhei todo o cabelo dela. Uau! A cena ganhou uma dimensão enorme!Ela permaneceu quase 40 minutos apenas jogando cabelo no corpo, e usando as câmeras. Durante a cena dela outra performer mulher se uniu a ela. Eram duas mulheres explorando a fisicalidade, a expressividade e a sensualidade feminina. A partir desse momento naturalmente as cenas e propostas iam surgindo. Cada momento um integrante se unia ao improviso. Certo momento eram dois homens e uma mulher, todos bebiam o vinho, a quantidade que quisesse, e interagia. Momentos de submissão, sensação de voyeur, de humilhação, de provocação, e a percepção de que apenas o insinuar tem o peso na cena, não precisa realizar o ato, mas a provocação em si já é o bastante e interessante. Certo momento o jogo ficou mais forte com a agressividade. Um dos performers permanecia de olhos vendados enquanto outros poderiam abordar seu corpo da maneira que quisesse. As reações agressivas, mais tensas foram bem bacanas também. Outro experimento bem forte foi com a tinta. dentro de um pote os performers mergulhavam o rosto, esfregando-o e lambuzando-o totalmente dentro do pote. Ao levantar, sem blusa, a tinta ia escorrendo pelo pescoço, peito, traçando veias escuras ao mesmo tempo em que se colocava um ovo cozido dentro da boca. A medida que o ovo ia sendo mastigado, e caindo pela boca, por cima da mancha preta, surgia uma sensação fúnebre..Pra mim essa imagem era a destruição da vida, do outro, do amor..Ou eu destruo o amor, ou ele me destrói.

Experimentação:

Veja-me



Nada que seja cômico na metade de uma maçã , cômico seria tomar por maçã inteira a metade de uma maçã, não há contradição no primeiro caso, há apenas no segundo.Se tomarmos a sério o dito de a mulher é a metade do ser humano, a mulher não nos parecerá cômica na estranha situação do amor.O homem , pelo contrário , que goza de consideração social porque é um ser completo, torna-se cômico quando de repente se deita a correr em busca da mulher e prova assim que não deixara de ser apenas metade do ser humano. quanto mais refletimos tanto mais nos parecerá divertida a situação, porque se o homem é realmente um todo,na situação de amante deixa de o ser, ou então forma com a mulher muito mais que uma unidade. Não estranhemos pois que os deuses se divirtam, à custa do homem. Quando os amantes, como dois pombinhos, voam pelos céus em núpcias deliciosas, podemos acreditar que eles querem uni-se, ser uma unidade, já que dizem querer viver um para o outro pelos tempos sem fim.Mas -é curioso , em lugar de viverem um para o outro , vivem, sem que disso suspeitem, apenas para a espécie. Que é uma consequência?Se,quando surge, não podemos relacionar com a antecedência, parece-nos então uma brincandeira, e as pessoas a quem tal acontece tornam-se muito ridículas.Quando duas metades, que estavam separadas, finalmente se juntam, parece que nisso encontram satisfação e motivo para repouso,assim não é, porém, no amor, do qual resulta a agitação para uma vida nova. Sr KIERKEGAARD. Leandro Rocon

O Amor e a Moça

Pinta os lábios para escrever a tua boca em mim.

O Que Houve com o Nosso Amor?